Das surras que nos damos.


Viva os dias que você senta e respira fundo. E olha e repara e se sente. Tem um professor meu que diz que quando estamos em "estátua", nos sentimos mais porque prestamos mais atenção no nosso corpo. Isso serve pra tudo não?! Sentei na cama ontem, após um fim de semana, uma semana, um mês, uns meses, um carnaval, um começo de ano e até quem sabe, sentei na cama após uns 2,5 anos pra olhar no teto e sentir, apenas sentir. Hoje parece que tomei uma surra, no corpo, na alma, de mim mesma, daquelas surras grandes de ficar feridas que jamais cicatrizarão. Arrumei o quarto, a cama, o armário, as roupas, as caixas, os perfumes, os cremes, os sapatos eu não arrumei, deu preguiça, e por fim o visual todo daquilo tudo que eu vivo, até a água do aquário com uns 35 "enfeitinhos" (mas sem peixe porque ele morreu no carnaval e até hoje eu só havia tirado o peixe do aquário e não o resto), arrumei mesmo, fui dormir tarde e arrumei. A sensação que eu tenho, mesmo que eu já tinha arrumado ele no fim do ano e um pouco antes do carnaval, foi que desta vez arrumando eu consegui sentir cada coisa nele como em mim, e tudo que a vida trouxe e levou.
Hoje, acordei, olhei bem pra mim mesma ao escovar os dentes no espelho e pensei... recomeçar? Vida nova? Não. Afinal eu tô feliz assim, mesmo feliz, tranquila, calma, centrada. Tudo igual, o que mudou foi muito mais que isso... o que mudou, mudou faz tempo, a única coisa é que eu ainda não tinha percebido. E essa foi a surra.
Surra essa que hoje olho em volta e penso se todo mundo já tomou, se alguém já tomou, ou quem ainda falta tomar...surra grande de não sentir vergonha de ninguém, afinal ninguém nem sabe porque "pros outros tá tudo lindo", mas sentir vergonha apenas de você mesmo a hora em que olha em seu próprio olho. De resto, a vida, trabalho, comida, carro, casa, amigos, família? Vão bem. Tudo vai bem. Pena que esse tudo não é nada perto de apenas uma coisa que te faz levar a surra.
Das surras mais bem dadas e levadas, se levanta, dolorida que é como estou hoje, fisicamente até, mas no mínimo mais consciente e sentindo cada partezinha do meu corpo, até o dedinho do meu pé, assim, como diz meu professor, como se eu estivesse em estátua.

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