Da desorganização...

Do sangue que corre no meu corpo. Sangue quente que escorre no meu rosto, que arde quando choro. Que arde quando grito. Da loucura mais insana do meu sonho de banho em espinhos. O fervor mais intenso de um beslicão de irmão. A raiva mais alegre da euforia da vitória. O preto mais vermelho que já se viu. A vida mais bem morta que já se morreu. A careca mais cabeluda de um problema de cálculo. Hoje o dia acordou laranja e eu, eu acordei amarela, mais clara que o dia.

Do chapéu que se põe, da roupa que se tira, da fuligem que arrepia do vento que bate, que sopra, da cama que não está mais. Da chance que se dá. da chance que se perde. Do visor do cego, do grito do mudo. De tudo mais forte e mais aguado. Do sentimento mais superficial e mais justo.

O que eu quero mesmo é tudo isso, junto, embolado, do jeito que acordei hoje. Pra que com isso eu volte a paz, aquela que me deu quando não achei nada na porcaria do quarto, quando cheguei no destino e vi que tinha esquecido tudo.

Quer saber? Era assim que eu era feliz.Sem a dor mais doída de vazio e vácuo que fica quando se tem tudo demais no lugar.

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